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Foto:Nayana Melo|O Estado

16/02/2016

Nem todas as pessoas que são diagnosticadas com câncer têm condições financeiras de arcar com todos os gastos. A maioria dos remédios, por exemplo, não é bancada pelos planos de saúde ou pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Alguns deles são mais caros, principalmente os antibióticos e os medicamentos para dores. Os pacientes precisam bancar as despesas ou contar com a ajuda dos familiares. Porém, nem todos têm condições e isso pode acabar atrapalhando o tratamento.

Em Fortaleza, cerca de 500 pacientes oncológicos assistidos pela Associação dos Amigos do Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio), conhecido por Assocrio*, são beneficiados mensalmente com o projeto de assistência “Farmácia Solidária”. A presidente da associação, Cláudia Belém, explica que os medicamentos ajudam a muitos pacientes a passarem pelo tratamento. “Esses pacientes são carentes. Alguns vêm do interior apenas com a roupa do corpo e não têm condições de comprar todos os medicamentos. A farmácia existe para ajudar a amparar essas pessoas”, contou Cláudia, acrescentando que os remédios disponibilizados são oriundos de doações. “Recebemos remédios de ex-pacientes, de pessoas que compram o medicamento, mas que acaba sendo suspendido pelo médico porque desenvolveu alguma complicação. Recebemos dos parentes de pessoas que faleceram que, para não jogar fora, doam para a farmácia e também amostras grátis”, destacou a presidente da Assocrio, reiterando, ainda, a necessidade de aumentar a arrecadação.

Falta

Apesar das doações, nas prateleiras da Farmácia Solidária estão faltando alguns medicamentos importantes. De acordo com a farmacêutica responsável pelo programa, Rosimeire Florência, os remédios mais pedidos são para dores. “Remédios para dores, como morfina, metadona e codeína são os que os nossos pacientes mais procuram. Eles também procuram para dores moderadas como dipirona e paracetamol, além de remédios para a ânsia de vômito”. Mas, ela afirma que o que mais falta na Farmácia Solidária são os remédios para as dores. “Há uma carência muito grande com relação a doações para remédios para dor, porque são os mais caros”. Rosimeire diz que nas prateleiras têm apenas duas caixas do Fosfato de Codeína. “É muito doloroso pra a gente dizer a um paciente que vem até aqui pedir um remédio e nós não temos”, lamentou. Ela fala que as doações desses medicamentos podem salvar a vida de uma pessoa.

Doação

A jornalista Carmina Dias luta contra um câncer de mama e se sensibilizou com o trabalho da Assocrio. “Eu comprei duas caixas de Nausedron que serve para náuseas e enjoos da quimioterapia, mas não precisei tomar todos os comprimidos. Sobrou uma caixa quase toda e vou doar, pois é um remédio muito caro e tenho consciência que nem todas as pessoas podem comprar”, afirmou.

Triagem

Uma organização burocrática necessária acontece na associação. A assistente social, Eloísa Damasceno, explica que todos os pedidos passam por uma triagem, assim como os remédios que a Farmácia Solidária recebe. “Ao recebermos a demanda, precisamos checar se o remédio foi receitado pelo médico, e se a pessoa realmente não tem condições de comprar. Já os medicamentos que as pessoas doam, a farmacêutica observa data de validade, estado de conservação e outros pontos específicos e não menos importante para o uso”, observou Eloísa.

Segundo a assistente social, com boa vontade consegue solucionar muitas das necessidades de quem precisa. “Às vezes, não temos disponível os remédios para o tratamento completo do paciente, mas temos algumas caixas. Então, disponibilizamos e nos organizamos para comprar as que faltam. A intenção é sempre ajudar da melhor forma. Dependendo da necessidade, a gente até custeia. O que está dentro das nossas possibilidades, a gente resolve”, afirmou Eloísa.

Necessidade

Eloísa Damasceno também destaca a necessidade de outros itens além dos medicamentos tradicionais. “Além da Farmácia Solidária precisar de anti-inflamatórios, antibióticos e até de xaropes, também recebemos demandas de itens básicos como fraldas geriátricas descartáveis, absorventes, gaze, soro fisiológico, materiais de curativos e até de alimentações especiais, como suplementos”, completou a assistente social.

Associação

A Assocrio é uma organização sem fins lucrativos, de utilidade pública federal, estadual e municipal, fundada em 2004 e voltada para a linha de responsabilidade social. Surgiu através da iniciativa e união de esforços da sociedade civil, dos funcionários e pacientes do Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio), que é uma instituição especializada na prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer. A grande maioria, cerca de 95%, dos pacientes atendidos pelo Crio é proveniente do Sistema Único de Saúde (SUS) e apresenta inúmeras dificuldades socioeconômicas, além do enfrentamento da doença, o que motivou a criação da associação. A Assocrio fica localizada na Rua Francisco Calaça, 1300, bairro Álvaro Weyne.

Matéria publicada em O Estado, em 15/02/16